Estudantes identificam aves em obras do Brasileiro Jean-Théodore Descourtilz (1796-1855)

GAINESVILLE, Florida – Arte e ciência nem sempre caminham juntas, mas um projeto novo da Universidade da Florida (UF) desafia esta afirmação.ó

Estudantes do Instituto de Ciências Agrícolas e da Vida (IFAS) recentemente trabalharam em conjunto com o Museu de Arte Samuel P. Harn na identificação de aves e plantas brasileiras ilustradas pelo famoso pintor naturalista Jean-Theodore Descourtilz (1796-1855). A página da internet contendo detalhes sobre o seu trabalho foi lancada há pouco tempo e pode ser vista aqui. “O Museu precisava saber os nomes das espécies de aves e plantas e se estavam descritas de uma maneira ecologicamente correta” disse Emilio Bruna, professor adjunto do Departamento de Ecologia e Conservação de Fauna Silvestre da UF.

Os professores Bruna e John Blake, também do mesmo Departamento, ensinaram conjuntamente um curso de pós-graduação cujos alunos foram responsáveis por este projeto.  Os estudantes do curso, Introdução a Ecologia e Conservação Tropicais, examinaram cinco quadros, cada um exibindo de 3 a 5 espécies de aves e plantas. Descourtilz identificou as aves mas não as plantas, sob as quais as aves estão posadas. Os estudantes classificaram as aves e plantas usando a nomenclatura taxonómica moderna e prepararam um relatório descrevendo o habito alimentar das aves, em que estratos da floresta vivem e aonde residem geograficamente.

Blake afirmou que um dos resultados interessantes do projeto foi que algumas das espécies de aves reproduzidas na mesma tela, não pertencem a mesma região do Brasil. “Apesar de pintadas juntas e empoleiradas sobre a mesma planta, algumas das espécies de aves são de áreas distantes da Amazónia, enquanto outras são do sudeste do Brasil” disse o pesquisador. Por exemplo, em uma das telas o Cardeal-do-banhado (“Scarlet-headed Blackbird”, em inglês), o  Bico-agudo (‘sharpbill’) e o  Peito-vermelho-grande (‘meadowlark’ em inglês) da região dos pampas foram colocados sobre a mesma espécie de planta, quando na verdade estas aves não dividem o mesmo habitat e provavelmente não seriam encontradas juntas. Nesta mesma tela, as três espécies estão empoleiradas em um galho de Ficus. Apenas uma das espécies se alimenta do fruto desta planta, enquanto as outras duas se alimentam de insetos. Bruna suspeita que as telas foram baseadas na memória do artista ou em coleções de museus; e não diretamente em observações na natureza.

Este trabalho artístico é parte da coleção de história natural do Harn que contem cerca de 400 impressões dos seculos XVI a XIX de autoria de artistas Europeus e Americanos que retrataram aves, rochas, mamíferos, plantas, conchas e outros mais da Asia, Américas e Europa.

Eric Segal, Curador educacional do Museu Harn, afirmou que uma vez que a informação é obtida sobre a obra artística, é guardada para ser usada mais tarde na preparação das legendas ou descrições que acompanham a obra. “É uma informação muito importante para nos” afirmou Segal; “Os resultados obtidos pelos estudantes são extremamente úteis e serão utilizados quando as obras forem expostas ao publico.”

Estes trabalhos chegaram ao museu em 2010 como parte de um programa de aquisição financiado generosamente pela doação de Graham Arader, um importante comercializador de arte, cuja especialidade inclui trabalhos de arte natural. Eles fazem parte de um livro de Descourtilsz de 4 volumes, que contem 164 espécies de aves brasileiras chamado “Ornithologie brésilienne ou Histoire des Oiseaux du Brésil, Remarquables par leur Plumage, leur Chant ou leurs Habitudes,” publicado entre 1852 e 1856.

Descourtilz produziu estes trabalhos através de cromolitografia, na qual uma imagem é desenhada no reverso de um pedra utilizando canetas especiais. A tinta é então aplicada a imagem e o papel colocado firmemente contra a pedra, e através de uma prensa a imagem e impressa no papel. Só então as impressões eram coloridas a mão.

O trabalho do Harn com CALS é parte de um esforço maior de continuar a envolver o museu na vida académica da Universidade da Florida, disse Segal; “O museu é um museu de arte de primeira classe, mas é também um importante recurso a ser utilizado pela Universidade”. “Nos temos uma longa história de colaboração com uma grande gama de disciplinas em todo o campus da UF.”

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